The Central Scrutinizer era um órgão censor e opressor que cuidava de controlar toda e qualquer forma de expressão que ameaçasse a ordem e os bons costumes puritanos da humanidade. A música, considerada a forma mais contraventora pelo regime do tal ”Big Brother”, acaba por ser proibida e quem a fazia sofria punição e censura. Não precisa nem falar que os critérios, eram, digamos assim meio "escrotos" hãm...
Entre outras coisas, essa é a linha mestra que segue a ópera-rock Joe´s Garagem, a obra-prima (uma das várias que conseguiu fazer) de Frank Zappa, concebida em 1979 (o ano em que I was born). Éééé amiguinhos, antes de ópera-rock virar marca de roupa, esse termo já teve um significado mais digno na prática.
Joe é o anti-herói dessa epopéia e suas desventuras são contadas através de 3 atos (3 vinis triplos) musicais. O que Zappa queria na verdade era esculachar com toda a hipocrisia existente no mundo real: não faltaram críticas e referências para indústria fonográfica (ele costumava dizer que até 1975 músicos faziam música por música, depois apenas por business), para a crítica especializada da época (que o acusava de ser pornográfico em suas letras), para a igreja católica, feministas e revolucionárias sexuais, experiências pessoais e o escambau.
Em “Watermelon In Easter Hay “, Zappa se inspira no episódio em que esteve preso por ser acusado indevidamente de produzir pornografia ilegal (armaram para ele e pegaram ele e uma amiga, pulando em uma cama de hotel, fingindo sons eróticos para gravar em uma fita...uhauahuah). Na música ele transpõe todo o seu sentimento de frustação para o personagem que está preso e que não pode então tocar sua guitarra. Sua única maneira de continuar “tocando” é imaginando o solo perfeito que é a própria música instumental. Esse é um dos momentos mais belos do disco.
Na verdade, toda a obra de Zappa tem esse aspecto contestador da hipocrisia humana, e desde o seu primeiro disco Freak Out de 1966 ele já toca neste tema e sempre muito, mas muito humor. Freak Out, para adicionar aqui é considerado o primeiro disco conceitual e também o primeiro disco duplo da história do roque´n roll, mas isso é assunto para depois...
Para ser sincero, esse não é o meu disco preferido e nem primeiro que ouvi dele, mas aprendi a admirá-lo depois de ouvir, conhecer o contexto e ir entendendo as letras, e aí, chego no ponto em que queria chegar: a letra de Joe´s Garage.
Ao mesmo tempo que sua criatividade passa por todo o conceito acima e a produção musical é perfeita, complexa e gigantesca (são T-R-Ê-S discos), ele faz uma coisa que achei maravilhosa.
Chapei quando ouvi o primeiro verso da música:
“It wasn't very large
There was just enough room to cram the drums
In the corner over by the Dodge
It was a fifty-four
With a mashed up door
And a cheesy little amp
With a sign on the front said "Fender Champ"
And a second hand guitar
It was a Stratocaster with a whammy bar…”
Zappa simplesmete faz uma homenagem (para mim perfeita) à todo e qualquer ser humano que sequer uma vez na vida reuniu seus amigos para fazer um som! A garagem é a figuração do templo da música, o ponto de partida, onde sonhos e melodias nascem e...incomodam muitos vizinhos também!!! rs
Eu juro que quando ouvi pela primeira vez, entendi que esse pop-rock zappiano cabia perfeitamente nessa idéia. Foi isso que me veio à cabeça naquele momento. O som é alto astral, mistura elementos rítimicos variados e a letra é matadora.
Sobre o disco galera, tem muito mais coisa para falar, escrever e ouvir. São muitos detalhes e coisas interessantes que permeiam a história da obra, mas não quero me prolongar. Quem conferir, vai ver que é ele quem faz a voz da “Central”, meio robotizada e tem diversos personagens que interagem com ele. Entre outras curiosidades, saibam que a idéia inicial era fazer um musical na broadway, mas ele não conseguiu por falta de patrocínio e a famosa frase “Music is the Best” vem desse disco, da música “Packard Goose”.
Vale a pena ouvir o som, conferir a letra e todo o disco...!!
Para fazer o download:
http://www.4shared.com/file/26803145/9b2dc60d/2_1__-_joes_garage.html
Obs – o fato que me motivou a escrever esse tema, foi que na semana passada fui abordado “delicadamente” por uma variação da The Central Scrutinizer, chamada de “The Drudis Moderation Cabra-da-Peste Rulez“, uma que controla determinados blogs por aí. Como também gosto de uma boa música, como nosso amigo Joe, resolvi dar um talento e cá estou.... hugs!
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
A Central Escrotinizadora e a Garagem de Joe
Postado por
jardas
às
21:36
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Marcadores: 1966, 1979, Central Scrutinizer, Frank Zappa, Freakout, Joe´s Garage
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